(...) Cabe ao actor urbano a tarefa criadora de subverter, perverter, inverter a subordinação a um mundo cada vez mais suburbano, deitando fogo às falsificações, às reproduções e imitações. Cabe-lhe tentar reconstruir o urbano eliminando o sub para que a sua cidade seja de novo única no mundo. Actuar perante a(s) subcultura(s) num movimento de libertação das cadeias musicais, das cadeias alimentares, das cadeias de cinema, das cadeias de televizão e de todos os (sub)produtos comerciais no suburbano mercado global sob marca registada. E, enquanto o público suburbano aplaude sempre o (pop)artista esquecendo constantemente a obra ou a actuação, caberá ao público urbano aplaudir ou vaiar a actuação esquecendo o actor.
Sob um olhar que corresponde a uma entre todas as perspectivas urbanas possíveis, as cenas que se vão seguir reflectem e apresentam ao público as actuações dos actores urbanos (...)
Excerto do texto "A Mão esquerda do actor" in Actores Urbanos #3, Edição Culturguarda, 2008

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